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Mudei meu nome e perdi tudo.

  • Foto do escritor: Nino Rhamos
    Nino Rhamos
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 3 dias

Hoje resolvi mudar meu nome no LinkedIn e, subitamente, perdi tudo.


Tá bom, não necessariamente perdi tudo, mas meu acesso foi restrito por suspeita de fraude. Diante de tantas fraudes que recebemos hoje diariamente no celular, você altera seu perfil e, de repente, vira suspeito. Bom, eu segui as orientações da plataforma e enviei um documento para provar que eu sou eu. Mesmo assim, não recebi nenhuma mensagem de que alguma validação está em processamento; não sei para onde foram meus dados e me mantive perdido.


Às vezes me pergunto onde vamos parar com tamanha dependência que a sociedade do século XXI criou das redes sociais. Não me refiro a uma dependência vaidosa, mas de uma concepção de que você PRECISA estar lá, caso contrário, você não "existe". Os recrutadores não vão te achar, os clientes encontrarão outro prestador de serviço e, por fim, sua vida entrará em uma fenda da existência social, te levando direto ao esquecimento negro do ostracismo.


Com base nisso, nesse terrorismo virtual que está implícito nos lucros das grandes Big Techs, são inúmeros os influencers que vivem hoje (ou sobrevivem como resistentes ao mesmo ostracismo) de dar dicas para se destacarem nessas mesmas plataformas.


Dicas que nunca são óbvias, como se as próprias plataformas conspirassem para que nós, meros dependentes condicionados a elas para existir, não participássemos delas. Uma espécie de acesso condicionado a um segredo digno dos macetes dos jogos de videogame dos anos 90; os que te permitiam, com apenas três vidas, vencer grandes mestres e alcançar o fim do jogo.


Mas preciso confessar. Um lado meu se sentiu aliviado pela própria plataforma ter imposto essa desconfiança. Afinal, a própria realidade do que somos há tempos se distanciou daquela que muita gente compartilha em redes como o LinkedIn, onde entulham as postagens começando com: "É com muito orgulho que venho compartilhar essa nova fase...".


Quem saberá o sentimento real sobre a nova fase? Minha experiência de vida me ensinou que transições são cheias de sentimentos confusos, mesmo aquelas que nos levam para uma condição melhor de vida. Isso não cabe nas redes, ao menos naquelas onde os algoritmos valorizam os que têm síndromes de "super-heróis".


Agora tô aqui. Se antes ela já me parecia um mural de personalidades geniais, de profissionais exuberantes e de performances excepcionais, agora que eu mudei meu nome e perdi tudo, talvez eu até me encontre na realidade da minha rotina; que muitas vezes, ao menos por alguns minutos por dia, era dedicada àquele espaço.


Quem sabe amanhã eu descubra que, como os jogos dos anos 90, eu ainda tenha mais duas vidas.


Ninja Gaiden. Jogos dos anos 90.

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