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Sobre cães, condomínios e o ente coletivo chinês

  • Foto do escritor: Nino Rhamos
    Nino Rhamos
  • 5 de set. de 2025
  • 1 min de leitura

Atualizado: 5 de set. de 2025

Hoje, uma cena simples me fez parar para pensar. Em meu condomínio, como em tantos outros lugares, há um cachorro que vive solto. Ele late para carros, para pessoas, e não tem um dono visível. Mas quando surge uma reclamação, vários "donos" aparecem para defendê-lo. O curioso é que, apesar da defesa fervorosa, ninguém o leva para casa no frio ou na chuva.


Sobre cães, condomínios e o ente coletivo chinê

Essa dinâmica me levou a uma reflexão, inspirada pelos meus estudos sobre a coletividade na China. Em algumas sociedades, a coletividade não é só um amontoado de pessoas; ela age quase como um terceiro ente. Um corpo de interesse que está acima das partes em conflito. É como se a razão não fosse definida pelo grito mais alto, mas por uma régua comum a todos.


Parece que em uma sociedade mais individualista, a solução do conflito fica inteiramente nas mãos das duas partes. É um jogo de poder, onde quem tem mais status ou dinheiro acaba impondo sua "verdade". É um tipo de "poder regulado" que não busca o bem comum, mas a vitória pessoal.


No caso do cachorro, a ausência desse "ente coletivo" é clara. Não há um ponto de convergência que diga: a razão aqui é o bem-estar do animal e a harmonia do espaço. O conflito se resume a duas pessoas debatendo, e a "solução" vem de quem grita mais alto.


Talvez a verdadeira força de uma comunidade não esteja nas regras escritas, mas, livre de idealizações, na existência de algo maior que o interesse de cada um. O que, obviamente não imprime uma ausência de conflitos, mas uma maneira diferente de resolução.

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