O dilema do preconceito naturalizado em alguns ambientes acadêmicos
- Nino Rhamos
- 15 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de set. de 2025
O mundo acadêmico, em sua busca por um rigor metodológico e uma ética de pesquisa, deveria ser um espaço de isenção, onde as pesquisas são avaliadas por resultados e não por estereótipos. No entanto, a realidade muitas vezes contrasta com esse ideal. Observa-se que certos temas e regiões do mundo, como a China, por vezes desencadeiam reações que parecem contradizer os próprios princípios das ciências humanas.
O que se manifesta não é apenas um viés velado, mas uma forma de preconceito naturalizado, que se traduz em deboches e caricaturas que seriam inaceitáveis se dirigidos a outros grupos que, no Brasil, são reconhecidamente e historicamente oprimidos. Essa atitude parece revelar em comentários os preconceitos do século XX, que tenho estudado no meu doutorado, como a representação dos chineses como "homens doentes da Ásia", feita pelos ocidentais durante a tentativa de dominação do país. Como se não bastasse, ainda são tratados com uma leveza que os torna ainda mais perigosos. É como se a falta de uma crítica mais aprofundada ou a aversão política ao próprio sistema de governo da China, levasse à adoção de uma caricatura simplista.
O preconceito e a dupla medida da crítica
A situação se torna ainda mais complexa quando se percebe que os critérios de avaliação aplicados a esses trabalhos parecem ser desproporcionalmente rígidos. Pesquisas sobre temas considerados "sensíveis" ou "polêmicos" parecem ser submetidas a um escrutínio que não se aplica a outros objetos de estudo, como se a simples escolha do tema exigisse uma prova de lealdade ideológica. Essa dupla medida revela uma falha ética, especialmente quando partimos do princípio de que o ambiente acadêmico deveria ser o primeiro a questionar e desconstruir esses padrões.
Em última análise, essa dissonância, ou melhor, esse preconceito que navega entre o discurso humanista das aulas e a prática obscura dos corredores, gera uma profunda decepção. Fica a reflexão sobre o paradoxo entre alguns "representantes" de um campo do conhecimento que, ao mesmo tempo em que ensinam sobre direitos humanos e equidade, podem falhar em aplicar esses mesmos princípios quando confrontados com seus próprios vieses.


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