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Como a porcelana moldou o nome "China" no inglês

  • Foto do escritor: Nino Rhamos
    Nino Rhamos
  • 8 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de set. de 2025

O nome "China" no vocabulário inglês moderno não deriva, de forma direta e inquestionável, da dinastia Qin (século III a.C.), como muitas vezes se afirma. 


Ao contrário do termo zhongguo (中国), cuja tradução literal como “Estados Centrais” ou “Reino do Meio” foi historicamente flexível, a ligação etimológica entre “Qin” e “China” é mais complexa e cheia de desvios.


Há evidências de que a raiz sin ou cin, presente em textos sânscritos, já circulava antes mesmo da ascensão da dinastia Qin, possivelmente derivada de Jin (晋), um poderoso estado hegemônico do século VII a.C., governado por Chonger. 


Esse detalhe sugere que a associação fonética entre “China” e “Qin” pode ser mais produto de coincidências linguísticas e de rotas comerciais do que de uma origem única e linear.


De "Seres" a "Cathay": múltiplas Chinas na Antiguidade e na Idade Média

O mundo greco-romano conhecia duas Chinas distintas: Sinai/Thinai e Seres (Serica), ambas associadas à exportação de seda, mas não identificadas como o mesmo território. 

O nome Seres (do latim “seda”) ilustra bem esse processo: um produto de luxo acabava nomeando toda uma terra distante. Na Idade Média, a Europa acrescentou outro nome, Cathay, amplamente difundido pelos relatos de Marco Polo.


Curiosamente, Marco Polo raramente menciona algo como Chin ou China. Quando o faz, refere-se possivelmente a Manzi, região costeira meridional. Foi justamente esse “Chin” do sul que passou a figurar nos registros de comerciantes muçulmanos e, posteriormente, portugueses. 

Ainda assim, no inglês, o termo teve pouca circulação até que um objeto específico mudasse o jogo.


Porcelana: do sul do império às mesas elizabetanas

Foi a porcelana fina do sul da China que consolidou a palavra China no inglês. Quando a louça chegou às mesas da Inglaterra elizabetana, tornou-se símbolo de sofisticação. 


Shakespeare, em Measure for Measure, faz alusão à distinção entre tigelas comuns e “China dishes” (louça chinesa), capturando o prestígio do material. Assim, após um longo percurso, o termo china (porcelana) passou a emprestar sua força semântica para China (lugar), ecoando o que já ocorrera no mundo romano, quando seres (seda) nomeou terras distantes. 


Marco Polo raramente menciona algo como Chin ou China. Quando o faz, refere-se possivelmente a Manzi, região costeira meridional. Foi justamente esse “Chin” do sul que passou a figurar nos registros de comerciantes muçulmanos e, posteriormente, portugueses.   Ainda assim, no inglês, o termo teve pouca circulação até que um objeto específico mudasse o jogo.
Marco Polo

Mais do que um legado imperial, o batismo linguístico da China em inglês foi moldado pelo comércio, pela cultura material e pela circulação global de objetos de prestígio.

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