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Ossos de dragão: o remédio para malária que reescreveu a história da China

  • Foto do escritor: Nino Rhamos
    Nino Rhamos
  • 7 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de set. de 2025

A história é, por vezes, feita de acasos extraordinários. Uma das mais fascinantes curiosidades da história da China ilustra perfeitamente essa máxima, conectando a medicina tradicional a uma das maiores revelações arqueológicas do país. 


Tudo começou em 1899, quando Wang Yirong, um estudioso respeitado e chanceler da Academia Imperial de Pequim, adoeceu com malária. Wang era colecionador de bronzes antigos e profundo conhecedor dos primórdios da escrita chinesa.


Ao receber um remédio tradicional de uma farmácia local, ele se deparou com um ingrediente peculiar: "ossos de dragão", que deveriam ser triturados e fervidos para aliviar a febre.

Para sua surpresa, com seu olhar treinado, Wang Yirong reparou que aqueles ossos, naturalmente, eram de animais. Quando ele observou com mais atenção, reparou que tinham gravuras que se assemelhavam às formas arcaicas de escrita presentes em seus bronzes. 


Essa descoberta acidental deu início a uma investigação que levou os estudiosos a rastrear a origem dos ossos até escavações em uma aldeia perto de Anyang, na província de Henan. Ali, foi identificado o berço das escritas de adivinhação da pré-história chinesa, muito anteriores a qualquer registro conhecido até então.


A importância dos ossos oraculares foi monumental. As inscrições neles contidas não eram apenas caracteres primitivos; eram registros detalhados de adivinhações realizadas para os reis da Dinastia Shang (c. 1600-1046 a.C.).


Graças a esses artefatos, foi possível estabelecer uma cronologia completa para as dezessete gerações de reis Shang, confirmando de forma impressionante a precisão da lista de monarcas compilada séculos depois pelo grande historiador Sima Qian. 


Ilustração de um médico chinês dando a um paciente doente uma grande tigela contendo remédio.
Ilustração de um médico chinês dando a um paciente doente uma grande tigela contendo remédio.

Assim se deu a descoberta de uma das provas mais concretas e fundamentais da antiguidade chinesa, que validou textos históricos e empurrou as origens da civilização para ainda mais longe no tempo, foi resgatada do esquecimento por um estudioso doente e um pacote de "ossos de dragão".


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