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Um breve olhar antropológico dos Cinco Princípios da China de Coexistência Pacífica

Em 28 de junho de 2024, em Pequim, o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, participou da conferência que comemorou o 70º Aniversário dos Cinco Princípios de Coexistência Pacífica e fez um discurso intitulado "Levar Adiante os Cinco Princípios de Coexistência Pacífica e Formar Juntos uma Comunidade com Futuro Compartilhado para a Humanidade".


Um breve olhar antropológico dos Cinco Princípios da China de Coexistência Pacífica

Em sua fala, o presidente Xi Jinping destacou:


  • Defesa do princípio da igualdade soberana

  • Consolidação da base de confiança mútua

  • Concretização da visão de paz e segurança

  • Reunião de forças para alcançar prosperidade

  • Persistência na equidade e justiça

  • Abraço à abertura e inclusão


O discurso do Presidente Xi Jinping reflete a política externa da China e uma visão baseada em valores culturais profundos. No entanto, a ênfase na igualdade soberana e na confiança mútua não deve ser vista como mera retórica diplomática, mas por meio de um olhar antropológico, como um reflexo dos valores coletivos e da história complexa da China.


Um breve olhar antropológico dos Cinco Princípios da China de Coexistência Pacífica

A China, com sua longa história, valoriza a ajuda mútua e as relações harmoniosas; que alguns amigos chineses expressam no termo 相互帮助 (xiānghù bāngzhù, ajuda mútua). Nesse sentido, a visão de paz, prosperidade, equidade, justiça, abertura e inclusão de Xi Jinping deve ser interpretada não apenas como uma posição política, mas também como uma expressão da filosofia social chinesa que valoriza o equilíbrio dinâmico e a harmonia como algo que deve ser constantemente construído através das relações políticas.


Ao abordar o Sul Global, a China propõe uma visão de coexistência que busca transcender as divisões geopolíticas tradicionais, promovendo um futuro mais integrado. Porém, muitas vezes, o ocidente vê esses discursos de paz e ajuda mútua como desprovidos de realidade, o que reflete mais a sua natureza bélica do que uma crítica fundamentada à China.


A China busca redefinir a dinâmica global com uma política de coexistência e cooperação, contrastando com a competição e o conflito geopolítico, há séculos dominados por princípios ocidentais. Este discurso convida todos a repensar as relações sociais e políticas, equilibrando a preservação da identidade cultural com a promoção de uma governança global mais inclusiva e equitativa.


A fala de Xi Jinping na conferência merece uma análise antropológica cuidadosa e distante de qualquer fetiche, reconhecendo a complexidade das relações sociais internas da China e a influência global do país.


É importante lembrarmos que as relações são construídas socialmente e mesmo que as tensões sejam inerentes ao círculo relacional, devido às diferenças entre grupos e suas necessidades de interação, a política surge como um instrumento de construção constante da paz. Parece ser isso que a China propõe.


A antropologia, com seu foco nas interconexões humanas e culturais, oferece um olhar importante para compreender essas dinâmicas. Ao explorar as nuances das relações sociais da China, podemos ganhar insights sobre como uma visão mais equitativa e colaborativa das relações internacionais pode ser alcançada em termos concretos, a partir de escolhas políticas e negociações equilibradas, promovendo uma abordagem mais humana no cenário mundial.


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